Nos últimos meses, o Claude Code virou referência entre desenvolvedores que trabalham com assistentes de código no terminal. Ele é direto, sabe navegar em repositórios reais, executa comandos, lê arquivos, entende contexto de projeto e consegue resolver problemas que a maioria dos chats convencionais simplesmente não consegue. A experiência de trabalhar com um assistente que atua no seu ambiente, e não apenas responde perguntas, é genuinamente diferente.
O problema é que, do jeito que o Claude Code está estruturado hoje, você paga cerca de US$ 17 por usuário por mês na assinatura do Claude Pro. Para a maioria das startups early stage, sem funding, isso pode pesar ao longo do tempo e do crescimento da equipe. Outro cenário a ser considerado é o da compliance e da localidade dos dados. Recentemente, a Anthropic, empresa por trás do Claude, passou por uma indisponibilidade temporária devido à guerra no Oriente Médio.
Existem dois cenários em que isso começa a incomodar de verdade: quando o time é grande o suficiente para o custo ser relevante, e quando a empresa tem restrições sobre para onde o código vai: seja por compliance, política de segurança ou setor regulado.
Para esses dois casos, o OpenCode é uma alternativa real.
O que é o OpenCode
GitHub: sst/opencode
O OpenCode é um assistente de código via terminal, open source (MIT), mantido pela equipe da SST (os mesmos caras por trás do Serverless Stack Framework). A proposta é oferecer uma experiência semelhante à do Claude Code, mas sem te prender a um provedor nem a uma assinatura. Você se conecta diretamente ao seu provedor de LLM com suas próprias chaves de API.
Se a sua empresa já tem créditos na OpenAI, no Azure, no Bedrock, entre outros, o custo adicional do assistente em si é zero. Você paga apenas pelo que consome nos modelos e, dependendo do uso, pode sair bem mais barato do que a assinatura fixa.
O projeto tem uma comunidade ativa, suporta mais de 75 provedores e permite a configuração por repositório em um arquivo na raiz do projeto. Isso é especialmente útil para times: você define o modelo uma vez no repo e todos os devs já ficam alinhados, sem necessidade de configuração manual em cada máquina.
Uma coisa que você precisa saber antes de instalar
Por padrão, o OpenCode usa o tier gratuito do Grok da xAI — resultado de uma parceria de lançamento. Isso vale tanto para o modelo principal quanto para o modelo auxiliar, usado em tarefas leves, como a geração de títulos de seção.
Para times com controle sobre o destino dos dados, isso precisa ser configurado explicitamente antes de permitir que qualquer dev o use. O script que disponibilizei já resolve isso.
Como configurar para o seu time
Preparei um script que instala o OpenCode e gera a configuração correta para o seu provedor, já apontando o modelo principal e auxiliar para evitar o Grok por padrão. Você pode baixá-lo pelo link no final do artigo.
Depois de baixar, o uso é simples.
Se o seu time usa OpenAI:
OPENAI_API_KEY="sua-chave" bash setup.sh openai
Se o seu time usa Azure OpenAI:
AZURE_OPENAI_KEY="..." AZURE_RESOURCE_NAME="nome-do-recurso" AZURE_OPENAI_DEPLOYMENT="gpt-4o" bash setup.sh azure
Se o requisito é on-premise — código que nunca sai da sua infraestrutura:
bash setup.sh ollama
Esta última opção instala o Ollama localmente e configura o OpenCode para usar um modelo de código executado na própria máquina. Nenhum token sai. É a opção para empresas em setores regulados ou com políticas rígidas de dados.
Depois é só rodar o comando opencode na pasta do projeto.
O script: Configuração do OpenCode para o seu provedor na página Recursos.
Por que o Claude Code ainda é o rei
O Claude Code ainda é melhor na maioria (quase todos) dos cenários práticos. A integração com os modelos da Anthropic é mais fluida, o comportamento em tarefas complexas é mais consistente e a experiência geral é mais fluida.
O OpenCode é a escolha certa quando a restrição é financeira ou de compliance — não quando você quer a melhor experiência possível, independentemente do custo.

